Ainda o Metro para a Trofa
02-Jun-2006
A Metro do Porto reage - o Presidente da Câmara interpela o Primeiro - Ministro
 
PSD e PS emitem comunicados
A imprensa regional é e deve ser, recorrente, enquanto recorrentes forem os problemas locais.
O Concelho da Trofa, como é sabido e principalmente sentido, enfrenta um conjunto de problemas na área de transportes e comunicações.
Hoje, e na sequência do que fizemos na semana passada e ainda do que aconteceu no fim-de-semana, voltamos ao metro para a Trofa que, é também abordado em outros artigos de opinião.
Na semana passada esteve, a propósito de mais uma inauguração de parte de uma linha do metro, no Porto o Primeiro - Ministro, acompanhado do Ministro das Obras Públicas.
A sua visita tornou o facto mais mediatizado e com ela arrastou a injustiça de que está a ser vitima o nosso Concelho, tornando-o notícia, nas televisões e em vários jornais de expansão nacional.
O País deu conta de que algo de errado e grave se passa na Trofa e vem a calhar, até, com o roteiro do Senhor Presidente da República dedicado à exclusão social.
Nós, na Trofa, estamos a ser vítimas de exclusão territorial. Presumo que estão garantidas as condições para fazer dos problemas das acessibilidades, ferroviárias e rodoviárias, uma bandeira da Trofa.
Sem quaisquer complexos, temos que reconhecer que se vive um momento particular da história deste Concelho e, por isso, todos são poucos para ajudar neste esforço.
Na cerimónia da semana passada, o Presidente da Câmara da Trofa, interpelou o Primeiro - Ministro recordando-lhe "a primeira fase do metro anda não terminou ou seja, o metro ainda não chega a Trofa". E disse mais "tem que ser cumprido o que foi contratado à Normetro e é preciso que as pessoas comecem a falar e a dizer o que ficou estabelecido. Não podem assobiar para o lado". Bernardino Vasconcelos "lamenta que até o próprio Presidente da empresa, Valentim Loureiro, no seu discurso apenas se tenha recordado das necessidades da ligação a Gondomar a cuja a Câmara preside". Percebe-se bem o sentimento de Bernardino Vasconcelos, mas ele também sabe que em politica os problemas só tem duas hipóteses de solução: ou se age por afrontamento ou se age por negociação. Já disse, redisse e tri-digo, com estes Presidentes de Câmara, a mandar na Metro, a Trofa tem que decidir o tipo de negociação que pretende, já que, se sabe, que o dinheiro previsto para a linha do metro para a Trofa, foi gasto noutros Concelhos. Sabe-se que durante a cerimónia e a propósito do início da segunda fase do metro "terá que aguardar um conjunto de circunstâncias, nomeadamente a definição de prioridades em termos de ligações, alteração de contractos de concepção e até de financiamento".
A Metro do Porto sobre esta matéria fez-nos chegar um longo comunicado de 11 pontos, em que detalha, minuciosamente, toda a tramitação mas em que se torna evidente duas coisas: ao longo do processo andaram em conjunto a linha da Póvoa e da Trofa, se não vejamos:  
Nº 2 (Comunicado da Metro do Porto) O Conselho de Administração, em Julho de 2000, obteve do Governo a anuência politica para a submissão das propostas de duplicação, tanto da linha da Póvoa, como da linha da Trofa.
Nº 3 (Comunicado da Metro do Porto) Os Projectos de duplicação das linhas da Povoa foram distribuídos por três dossiers:
- Duplicação da linha da Póvoa, entre Fonte do Cuco e Póvoa de Varzim
- Duplicação da linha da Trofa, entre Fonte do Cuco e Maia (Ismai)
- Duplicação da linha da Trofa, entre Maia (Ismai) e Trofa (Pateiras).
Aqui começa o problema político, mal engendrado, que foi considerar a linha da Póvoa desde a Fonte do Cuco até a Póvoa de Varzim e a linha da Trofa, desde a Fonte do Cuco até à Maia.
E o mais grave ainda foi ter-se submetido apenas o dossier relativo à duplicação da linha da Póvoa ao Governo em 10 de Setembro de 2002 tendo despacho de aprovação em Março de 2003.
Como se pôde atrever, assim, a Metro do Porto, a propor o troço da linha da Trofa, em via dupla, apenas entre Fonte do Cuco e a Maia, quando havia anuência do governo para as propostas de duplicação das linhas da Póvoa e da Trofa?
Aqui está encontrada a responsabilidade da actual situação. A linha da Póvoa foi tratada no seu todo e a linha da Trofa não passou da Maia. O resto são cantigas, ó Rosa.
A Trofa foi, simplesmente, esquecida e o dinheiro previsto para a conclusão foi distribuído pelos Concelhos dos Senhores Presidentes que mandam na Metro.
A responsabilidade cai inteirinha na Metro, na proposta que fez e em quem a aprovou.
O povo costuma responsabilizar tanto quem faz, como quem deixa fazer.
Devemos aproveitar a visibilidade que a Trofa teve no fim-de-semana passado e cujo eco público foi mais notório nos desabafos, perfeitamente adequados e justificados do Presidente de Câmara.
Se pecam, é apenas, por serem tardios. Sobre esta matéria recebemos também comunicados do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, que transcrevemos na íntegra. Nesta edição incluímos também artigos de opinião de dois colaboradores e estimulamos os Trofenses a saírem da comodidade em que se encontram, para também debater estas questões.

Comunicado Metro do Porto - PSD

È conhecido de todos os trofenses que desde a primeira hora se encontrava adjudicada a construção da Linha do Metro até à Trofa, fazendo parte integrante da primeira fase do Projecto.

Por consensualização entre a Câmara Municipal da Trofa e a METRO DO PORTO, avançou-se para o projecto da duplicação da Linha, tendo em vista objectivos de aumento da qualidade de serviço e rentabilidade da via, tal qual aconteceu para a Linha da Póvoa.

A Comissão Executiva da METRO DO PORTO sempre colocou a Linha até à Trofa como a obra que era preciso fazer para concluir a primeira fase de rede. De 2003 até agora nenhum Governo foi capaz de decidir pela duplicação da Linha da Trofa, embora estivesse sempre garantida a via simples, até porque era uma obra já adjudicada.

O PSD da Trofa desde sempre esteve atento e acompanhou a evolução de todo este processo.

Porém, no passado sábado, aquando das diversas intervenções proferidas na inauguração da Linha do Aeroporto, a do Senhor Primeiro-Ministro incluída, todas fazias uma estranha referência à conclusão da primeira fase da rede. As restantes linhas seriam alvo de um estudo económico, assim como de obtenção de soluções de financiamento e definição de novas prioridades.

Não foi isto que nos prometeram quando suspenderam a Linha do Comboio entre a Trofa e o Porto - Trindade.

O PSD da Trofa congratula-se com a posição que o Senhor Presidente da Câmara da Trofa, Dr. Bernardino Vasconcelos, tomou pedindo explicações ao Senhor Primeiro-Ministro sobre esta matéria e reprova os actos de todos aqueles que por acção ou omissão, estão a tentar prejudicar a Trofa e a Área Metropolitana do Porto.

Também lamentamos que alguns que agora criticam o posicionamento da Câmara Municipal, não tenham feito mais durante todo este tempo para ajudar a resolver esta questão. Oportunidades, nos últimos anos, não lhes têm faltado.

Para concluir, o PSD da Trofa fará tudo o que estiver ao seu alcance para, em conjunto com todos os trofenses, obter aquilo a que a Trofa e toda a Região em que estamos inseridos, têm direito. O Metro do Porto é um projecto com resultados comprovados e que é fundamental para esta Região, como meio de transporte económica, ambiental e socialmente qualificadora.

O Desafio que deixamos ao Governo de Portugal é muito claro. Deixe-se para segundo plano as megalomanias do Aeroporto da OTA e do TGV e aplique-se os recursos financeiros no que verdadeiramente desenvolve o País e, neste caso em particular, a Região Norte.

O PSD e a população da Trofa nunca aceitarão que se dê o dito por não dito.
Há que cumprir o que se prometeu.

Trofa, 30 de Maio de 2006

A Comissão Politica do PSD da Trofa  


Partido Socialista

Comissão Política Concelhia da Trofa - Secretariado

Comunicado

O Projecto da Rede do Metro de Superfície, deste a primeira hora, contempla o ramal de ligação à Trofa.
No âmbito desse projecto, foi suprimida a ligação ferroviária entre Trofa e Porto - Trindade.
Desde 2002 e a pretexto de uma pretensa duplicação da via, solicitada pela Metro do Porto, o projecto encontra-se suspenso, situação que naturalmente muito preocupa o PS - Trofa.
A ligação Trofa - Porto (Trindade), via Maia, é absolutamente vital para a mobilidade da população do concelho, razão pela qual o Secretariado da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista da Trofa reafirma a sua indeclinável decisão de se colocar na linha da frente, usando de todos os meios ao seu alcance na defesa desta via.
Tal como a população, queremos o Metro até à Trofa.
Que se cumpra o Projecto.
Que se cumpram as promessas.
Trofa, 29 de Maio de 2006
O Secretariado da Concelhia do PS Trofa