Variante Ferroviária PDF Imprimir e-mail
05-Mar-2010

Debate mais participativo antes das obras teria evitado alguns erros

À semelhança do que aconteceu no passado mês de Janeiro, em que JT trouxe de novo à discussão a localização dos Paços do Concelho, a rubrica "Na Praça Pública" debruçou-se na passada semana sobre outro tema da actualidade trofense: as obras da variante da REFER, que estão, já, perto da sua conclusão.

 


A reunião para debater este importante assunto contou com a presença de vários nomes conhecidos do concelho e, na sua maioria, ligados à temática da construção: Afonso Serra Neves (Eng.), Aníbal Costa (Eng.), António Ferreira (Eng.), Teresa Fernandes (Drª), na qualidade de Vereadora da Câmara Municipal da Trofa e responsável pelo Pelouro do Ordenamento do Território, Gestão e Planeamento Urbanístico, Elisário de Sousa (Dr.), Luís Pinheiro (Eng.), António Charro (Arq.), José Carlos (Arq.), Luís Elias (Dr.), Luís Reis (Dr.), Paulo Sá e Silva (construtor) e, ainda, o Padre Luciano Lagoa (Pároco de São Martinho de Bougado).

O Arq. A. Charro começou por fazer uma explicação sucinta do que será a variante à EN14, cuja obra está prevista a médio prazo. Esta variante será construída a par da nacional e liga o Nó do Jumbo, na Maia, ao Nó da Cruz, em Vila Nova de Famalicão e abrange os concelhos de Trofa, VN Famalicão, Santo Tirso e Maia; um terço (cerca de 10km) de toda a obra será construído no concelho da Trofa, onde surgirão quatro nós de ligação: o primeiro junto a São Pantaleão, servindo as freguesias de São Mamede e Muro; o segundo Nó entre Lantemil e São Romão, conhecido como Monte Cabrito; o terceiro Nó surge a nascente do caminho-de-ferro, no lugar de Lemende, em Covelas; quarto Nó é, já, junto à A3 e restabelece a ligação com a EN104 e será o principal ponto de acesso à futura ALET (Área de Localização Empresarial da Trofa), que está projectada para essa zona.

A importância desta referência à variante rodoviária prende-se, sobretudo, com o terceiro nó de ligação, em Lemende, já que este será entrada mais directa na cidade e terá uma ligação à futura estação intermodal de Paradela, que reunirá, num só ponto, comboio, metro e transportes rodoviários. Assim, tornou-se essencial compreender a variante rodoviária, inserida nos novos arruamentos que estão a surgir na sequência da alteração do traçado da ferrovia.

A obra do Metro foi também explicada, de forma resumida e com destaque para as estações que irão surgir. A chegada do metro até à Trofa permitirá, também, a concretização de um antigo anseio dos Trofenses: a união dos parques. Com a nova estação de metro, Senhora das Dores, subterrânea, os dois parques do centro da cidade ficarão unidos, melhorando de forma significativa a paisagem do centro da Trofa.

O arquitecto salientou ainda a necessidade de pensar nestas obras não só no âmbito local, mas, fundamentalmente, no âmbito regional, uma vez que são obras pensadas para servir um eixo regional, que abrange cerca de meio milhão de pessoas. O interface que está a ser construído em Paradela é o segundo maior do norte do país, sendo apenas superado pelo de Campanhã, no Porto, o que mostra a importância deste investimento feito no concelho da Trofa e que o colocará numa posição estratégica a nível local, regional e, até, nacional.

António Charro relembrou a necessidade de "criar mais espaço público na Trofa. Não existe um espaço público que convide a viver e a estar." Com as obras previstas esta carência será minimizada de forma significativa. O arquitecto da Câmara Municipal referiu, também, que, "ainda que as obras criem algumas dificuldades temporárias no dia a dia de alguns trofenses, estes devem ser compreensivos, já que o resultado final beneficiará milhares de pessoas, não só trofenses, mas de toda a região norte do país."

Finda a explicação das obras que já estão a decorrer e daquelas que se espera avancem rapidamente, a primeira questão colocada esteve relacionada com os parques de estacionamento das estações de metro, uma vez que nem todas as estações do centro urbano dispõem de estacionamento. ... Charro explicou que o objectivo dos transportes colectivos como é reduzir o número de automóveis nas estradas, facilitando o trânsito. Assim, os parque de estacionamento em todas as estações centrais, facilitaria o estacionamento, fazendo com que as pessoas se deslocassem de carro, ao invés de se utilizarem os transportes públicos.

A rua Cesário Verde perderá alguma capacidade de estacionamento, conforme salientou o arquitecto José Carlos, o que poderá prejudicar alguns dos habitantes, embora surjam duas novas zonas de estacionamento nessa mesma área.

A estação intermodal de Paradela será semelhante à actual Gare do Oriente, em Lisboa, construída em viaduto e transparente. Na parte superior da estação, circulará o comboio, enquanto que na parte inferior existirá uma praça e espaço para as pessoas circularem, com quiosque, zona de cafetaria e demais serviços da estação, numa confluência de recursos e de acessos, já que a transição entre os pisos poderá ser feita através de elevador, escadas rolantes ou das escadas convencionais. Também os espaços verdes assumirão um papel importante no novo aspecto de toda aquela zona. Com a conclusão destas obras, Paradela passará a ser a principal porta de acesso à cidade.

Um dos principais problemas apontados foi o acesso pedonal à Igreja Nova, a partir da Escola EB 2/3 Prof. Napoleão Sousa Marques, já que este é bastante inclinado, como foi possível perceber pelas fotografias das obras apresentadas pelo moderador do encontro, Afonso Serra Neves.

Uma das alternativas apresentadas consiste em chegar à Igreja Nova a partir da rua Armindo da Costa Azevedo Júnior, passando por baixo do viaduto.

O Pe. Luciano Lagoa garantiu que a paróquia está atenta ao problema e que já contactou a REFER na tentativa de encontrar uma solução conjunta para o problema.

Um outro problema apontado foi a inclinação da rotunda junto ao CENFIM que, aliás, já foi referenciada numa outra edição de JT. No entanto, o Arq. Charro explicou que aquela seria uma rotunda de trânsito urbano, como tal, com velocidades moderadas, pelo que a inclinação não será causadora de problemas.

Apesar da envergadura das obras, nem todos lhe atribuem o mesmo papel no desenvolvimento urbano. Aníbal Costa apresentou três erros. Em primeiro lugar, lamentou que "a Trofa não aproveite estas obras para melhorar de forma significativa e efectiva os acessos e o parqueamento da cidade, para que seja possível às pessoas usufruírem dos serviços que esta oferece." Outro erro que o engenheiro aponta é manter a linha do metro no actual traçado do comboio, impossibilitando a libertação definitiva daquele canal. Finalmente, o terceiro erro apontado por Aníbal Costa está relacionado com a rotunda que será construída junto ao ciclo e que estrangula o ribeiro existente no local, o que poderá trazer problemas no futuro, com alagamentos dos terrenos envolventes.

Luís Elias aproveitou para referir que "a variante à EN14 não resolverá o problema do trânsito na Trofa". Para ele, "o que a Trofa realmente precisa é de uma circular urbana, à semelhança do que já foi criado noutras cidades, mas que, no caso da Trofa, poderá já não ser possível e os acessos à Trofa nunca serão os ideais." Neste seguimento, alguns dos presentes acrescentaram que essa circular urbana só seria verdadeiramente funcional se abrangesse o eixo Ribeirão-Lousado-Trofa.

Luís Pinheiro salientou que muitos dos problemas surgiram porque "a Câmara Municipal não teve força para pressionar a REFER de forma a corrigir alguns problemas."

Teresa Fernandes começou por referir que estas reuniões "são sempre muito proveitosas, embora estejamos já numa fase bastante adiantada do projecto." Aliás, todos os presentes foram unânimes em afirmar que este tipo de reunião de debate é fundamental para que as obras não apresentem erros. E, embora o projecto tenha estado em discussão pública, não foi suficiente para eliminar algumas falhas que, por vezes, não são visíveis no papel, devido à ausência de cortes e pormenores, pelo que só existe verdadeira percepção dessas falhas quando a obra já esta a ser executada.

A vereadora da Câmara Municipal aproveitou para responder às afirmações de Luís Pinheiro garantindo que, embora desconheça o tipo de relação entre Câmara e REFER no passado, "a REFER tem acedido a todos os pedidos deste novo Executivo Camarário, colaborando de forma incansável, mas temos de ter consciência que este projecto estava já numa fase muito avançada, pelo que é complicado fazer grandes alterações ao que estava previsto. O corte da Avenida de Paradela é um exemplo das cedências que a REFER tem feito aos nossos pedidos, já que o corte estava previsto para o dia 1 de Fevereiro e nós fomos conseguindo adiar, de forma a melhorar outras estruturas para minimizar os efeitos negativos causados pelo corte da avenida. Estas são pequenas conquistas que a Câmara Municipal vai conseguindo, mas o global do projecto não pode ser alterado, embora tentemos fazer alguns melhoramentos, aumentando a sua qualidade. É claro que o projecto não agradará a toda a gente, mas penso que todos concordamos que é fulcral para o desenvolvimento da Trofa e pelo qual os trofenses ambicionavam há muito." Teresa Fernandes garantiu, ainda, que estas obras serão o "ponto de partida para outros projectos, que irão permitir o desenvolvimento da cidade de forma incontornável."

Surgiram queixas de moradores na zona de intervenção das obras sobre a não contrução das rampas de acesso às respectivas propriedades. Outra queixa dos proprietários dos terrenos refere-se à impossibilidade de vedação dos seus terrenos.

É importante salientar que a REFER está apenas a repor os acessos que cortou com a mudança de local da linha de comboio, ou seja, depois de completos os acessos que estão a ser construídos, será a vez da Câmara Municipal da Trofa dar continuidade aos trabalhos, através da criação de arruamentos que complementem os que estão a ser desenvolvidos actualmente.

Embora o projecto tenha estado em exposição para consulta, é de lamentar que este tipo de troca de ideias não tenha surgido nessa altura, de forma a corrigir alguns dos erros que, no futuro, poderemos lastimar.

Apesar disso, este debate promovido por JT levantou questões que podem, ainda, ser corrigidas:

1. Os acessos pedonais à Igreja Nova da Trofa, que não estão resolvidos, pelo que devem ser repensados para encontrar uma solução razoável.

2. A rotunda junto ao CENFIM está a tempo de ser corrigida, diminuindo o desnível que apresenta.

3. Os acessos às propriedades privadas devem ser garantidos com guias rampeadas nos passeios.

4. As vedações das propriedades cortadas pela nova via deviam ser agilizadas pela Câmara Municipal da Trofa.

5. A qualidade dos arruamentos, que muito sofreram com estas obras, deve ser imediatamente reposta.

Esperamos e aguardamos que os leitores não deixem de enviar a sua apreciação às obras e sugestões ou críticas.

 
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